Guia completo com modelos de repasse, fórmulas práticas, exemplos reais e como evitar os erros que mais custam caro em clínicas odontológicas.
Repasse de convênio odontológico mal calculado é uma das maiores fontes de atrito em clínica odontológica. O dinheiro sai do caixa, o dentista questiona, a recepção não consegue justificar, e a confiança — tanto do profissional quanto do convênio — vai se deteriorando.
Segundo dados do iBPO, repasses errados ou atrasados representam uma das principais causas de desligamento de profissionais em clínicas odontológicas. E o pior: a maioria dos erros poderia ser evitada com um processo claro de cálculo e transparência.
Neste guia, você vai entender os modelos de repasse mais usados, como calcular cada um com fórmulas práticas, quais erros evitar e como um sistema de gestão pode automatizar todo esse processo.
Diferente de consultórios individuais, clínicas odontológicas que atendem convênios enfrentam uma cadeia complexa de valores:
Essa cadeia cria três pontos cegos que geram conflitos:
Cada modelo tem vantagens e riscos. A escolha depende do tipo de clínica, do volume de atendimentos e do acordo com os profissionais.
Exemplo prático:
Quando usar: clínicas com volume alto e padronizado. O cálculo é simples, mas o dentista precisa entender que o valor "bruto" do convênio já desconta impostos e custos operacionais da clínica.
Risco: se o convênio glosa ou reduz o valor, o repasse também cai — e o dentista pode não entender por quê.
Exemplo prático:
Quando usar: clínicas que querem previsibilidade para o profissional. O dentista sabe exatamente quanto vai receber, sem surpresas.
Risco: se o convênio paga menos que o valor fixo, a clínica opera no prejuízo naquele procedimento. É essencial ter uma tabela que considere o valor médio recebido dos convênios, não o valor de tabela.
Exemplo prático:
Quando usar: clínicas com mix de procedimentos simples e complexos. O fixo garante um piso para o profissional, e o percentual sobre o excedente valoriza procedimentos de maior valor.
| Critério | Percentual | Fixo | Mix |
|---|---|---|---|
| Facilidade de cálculo | ⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐ | ⭐⭐ |
| Previsibilidade pro dentista | ⭐⭐ | ⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐ |
| Proteção para a clínica | ⭐⭐⭐ | ⭐ | ⭐⭐ |
| Transparência | ⭐⭐ | ⭐⭐⭐ | ⭐⭐ |
| Risco de prejuízo | Baixo | Alto | Médio |
A tabela TUSS é o valor que o convênio autoriza, não o valor que ele paga. Após glosas, reajustes e negociações, o valor real recebido pode ser 15-30% menor. Se o repasse é calculado sobre a tabela TUSS, o dentista recebe mais do que a clínica recebeu do convênio.
Se uma restauração foi glosada (convênio recusou o pagamento), mas o repasse já foi pago ao dentista, a clínica absorveu o prejuízo duas vezes: o trabalho feito + o repasse pago.
Calcular o repasse antes do recebimento efetivo do convênio cria um problema de fluxo de caixa. O ideal é calcular após confirmação do recebimento, ou manter uma reserva para cobrir atrasos.
Se as regras estão apenas na cabeça do gestor, qualquer mudança gera conflito. O contrato ou aditivo deve detalhar exatamente: modelo escolhido, tabela de valores, prazo de pagamento e o que acontece em caso de glosa.
Planilhas de Excel são propensas a erros de fórmula, células não atualizadas e dados duplicados. Uma planilha com 200 procedimentos/mês pode ter erros invisíveis que acumulam ao longo dos meses.
A melhor forma de evitar erros é automatizar o processo. Um sistema de gestão adequado deve:
Com a CM Gestão, o módulo de convênios e repasses faz exatamente isso: calcula automaticamente com base nas regras que você define, desconta glosas, gera relatórios por profissional e integra com o financeiro da clínica.
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Calcular repasses de convênio odontológico não precisa ser uma fonte de dor de cabeça — mas exige um processo claro, regras documentadas e, idealmente, automação.
Escolher o modelo certo (percentual, fixo ou mix), considerar glosas no cálculo e garantir transparência com os profissionais são os três pilares para evitar conflitos e manter a equipe motivada.
Clínicas que automatizam o repasse reduzem erros em até 90% e eliminam os questionamentos mensais dos profissionais sobre valores. É investimento que se paga no primeiro mês — tanto em economia de tempo quanto em retenção de talentos.
Não existe percentual "padrão" oficial. Na prática, varia de 30% a 50% do valor recebido do convênio, dependendo do procedimento e da negociação. Procedimentos simples (limpeza, restauração) tendem a ter percentual menor; procedimentos complexos (prótese, implante) tendem a ter percentual maior ou valor fixo.
Sempre sobre o valor efetivamente recebido. A tabela TUSS é apenas a referência para o faturamento; o valor real que o convênio deposita pode ser diferente após glosas, reajustes e negociações. Calcular sobre a tabela TUSS gera repasse inflado e prejuízo para a clínica.
O ideal é processar o repasse ao profissional somente após o recebimento confirmado do convênio. Se o profissional exige pagamento no mês, a clínica pode manter uma reserva de caixa para cobrir o gap, mas isso precisa estar previsto no contrato de repasse.
Se o procedimento foi glosado e o repasse já foi pago ao dentista, a clínica absorve o prejuízo. Para evitar isso, o repasse deve ser processado após a confirmação do recebimento, ou as regras de repasse devem prever devolução em caso de glosa (o que é raro e pode gerar atrito).
Sim, é altamente recomendável. O contrato ou aditivo contratual deve detalhar: modelo de repasse, tabela de valores, prazo de pagamento, o que acontece em caso de glosa e condições de desligamento. Isso protege tanto a clínica quanto o profissional.