Definir quanto cada profissional recebe é um dos desafios mais delicados da gestão clínica. Aprenda as 3 formas de calcular repasse com fórmulas, exemplos reais e tabela comparativa.
O repasse financeiro é o coração da operação de qualquer clínica multidisciplinar. Se ele é mal calculado, a clínica perde dinheiro ou perde profissionais — e às vezes, os dois ao mesmo tempo.
Segundo dados do mercado de saúde, clínicas que não automatizam o cálculo de repasses perdem em média 8 a 15% da receita com erros de cálculo, glosas não contestadas e pagamentos atrasados. Isso sem contar o impacto na retenção de talentos: profissional que recebe errado ou atrasado procura outro lugar.
Neste artigo, você vai aprender os 3 métodos mais utilizados para calcular repasses em clínicas, com fórmulas prontas, exemplos numéricos e uma tabela comparativa para escolher o melhor para a sua operação.
Cada método tem sua lógica, vantagens e situações ideais de uso. A maioria das clínicas usa apenas um — mas as melhores operações combinam dois ou mais.
Este é o método mais comum e simples. O profissional recebe uma porcentagem fixa sobre o valor bruto dos atendimentos que realizou.
A psicóloga Ana realizou 20 sessões no mês a R$ 200 cada = R$ 4.000 em faturamento bruto.
Combinado: 60% para a profissional, 40% para a clínica.
Vantagens: Simples de calcular, fácil de comunicar ao profissional.
Desvantagens: Não considera custos variáveis (convênio, materiais, horário premium). Pode ser injusto se um profissional atende convênio (valor menor) e outro atende particular (valor maior) na mesma clínica.
Neste método, o percentual de repasse varia conforme o tipo de procedimento. Sessão individual, retorno, avaliação e procedimento especial podem terpercentuais diferentes.
O fisioterapeuta Carlos realizou no mês:
Repasse total para Carlos: R$ 1.350 + R$ 540 + R$ 270 = R$ 2.160
Vantagens: Mais justo — procedimentos que exigem mais tempo/investimento da clínica podem ter repasse menor; avaliações (que atraem novos pacientes) podem ter repasse maior para incentivar.
Desvantagens: Mais complexo de calcular e comunicar. Requer cadastro cuidadoso dos procedimentos e seus respectivos percentuais.
Neste método, o repasse é calculado sobre os valores efetivamente recebidos — não sobre o valor faturado. É o mais preciso financeiramente, pois considera glosas de convênio, inadimplência e descontos.
A fonoaudióloga Maria faturou R$ 6.000 no mês via convênio. Porém:
Repasse 55%: R$ 4.680 × 55% = R$ 2.574
Se o cálculo fosse pelo Método 1 (sobre faturado): R$ 6.000 × 55% = R$ 3.300 — a clínica pagaria R$ 726 a mais do que recebeu.
Vantagens: Protege a clínica de pagar repasse sobre dinheiro que não entrou. Mais realista para clínicas com alto volume de convênio.
Desvantagens: Profissionais podem se sentir injustiçados quando glosas reduzem seu repasse. Exige transparência total nos dados.
| Critério | Método 1 (% Profissional) | Método 2 (% por Procedimento) | Método 3 (% por Recebimento) |
|---|---|---|---|
| Complexidade | Baixa | Média | Alta |
| Justiça | Média | Alta | Alta |
| Risco para clínica | Alto (paga sobre faturado) | Médio | Baixo (paga sobre recebido) |
| Clareza para profissional | Alta | Média | Média |
| Ideal para | Clínicas 100% particular, poucos profissionais | Clínicas com mix de procedimentos | Clínicas com alto volume de convênio |
| Necessita sistema? | Planilha funciona (com risco) | Software recomendado | Software obrigatório |
A resposta depende do perfil da sua operação:
Enquanto o Método 1 pode ser feito em planilha com relativa segurança, os Métodos 2 e 3 exigem automação para serem executados corretamente. O motivo é simples:
Uma plataforma de gestão clínica como a CM Gestão automatiza todo esse fluxo: configura as regras de repasse uma vez, e o sistema calcula automaticamente a cada fechamento mensal — com relatório por profissional, alertas de glosa e histórico completo.
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O mercado varia entre 50% e 70%, com média de 60% para atendimentos particulares e 50-55% para convênio. Clínicas que oferecem mais infraestrutura (recepção, marketing, agendamento) tendem a reter um percentual maior (40-50%).
Não há lei federal que defina periodicidade obrigatória para repasse em clínicas privadas. Porém, o costume do mercado é mensal, e atrasos recorrentes podem configurar vínculo empregatício conforme jurisprudência trabalhista. O ideal é pagar até o 5º dia útil do mês seguinte.
A melhor prática é usar o Método 3 (repasse por recebimento), onde o profissional só recebe repasse sobre o valor efetivamente pago pelo convênio. Alternativa: manter o Método 1 mas incluir cláusula contratual de "ajuste por glosa" com prazo de contestação (geralmente 30 dias).
Sim, é recomendado. Um terapeuta ABA pode ter repasse por procedimento (Método 2), enquanto uma psicóloga particular pode ter repasse por profissional (Método 1). O importante é que cada profissional saiba exatamente qual regra se aplica a ele.
O ideal é aplicar o Método 2 (% por procedimento): o profissional recebe X% sobre atendimentos particulares e Y% sobre atendimentos de convênio (geralmente menor, para compensar o custo administrativo do faturamento). Isso é facilmente configurável em sistemas de gestão clínica.